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Carta do Gestor de Investimentos – maio/2019

Carta do Gestor de Investimentos – maio/2019

Os mercados financeiros globais foram testados, em maio, em meio à forte redução da inclinação da curva de juros do Tesouro Americano. A taxa de 10 anos, uma das principais referências do mercado, voltou a ficar abaixo dos níveis que vigoravam quando o FED iniciou o ciclo de elevação de juros, em dezembro de 2015.

Não deixa de ser curioso ver os mercados capitularem e mostrarem que as expectativas de crescimento mais robusto, conjugadas com inflação convergente à meta não se sustentaram por muito tempo. Adicionalmente, os riscos envolvendo negociações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram a ter destaque no noticiário, especialmente diante da divulgação de dados apontando para desaquecimento do comércio internacional.

Uma vez mais, os principais banqueiros centrais do mundo dão a sinalização de que as condições monetárias seguirão acomodatícias, ou seja, haverá liquidez suficiente para o sistema financeiro seguir funcionando. Apesar da retórica, a reação inicial dos mercados foi de ceticismo, os principais ativos de risco seguiram suas trajetórias de depreciação, como ilustram a Bolsa Americana e o preço do petróleo.

Neste contexto, o descolamento da dinâmica de preços entre Brasil e o resto do mundo merece atenção especial. No início do mês, a história de aversão a risco idiossincrática tornou-se relevante. Como visto, o mercado brasileiro evoluiu em “V” ao longo de maio, ou seja, perdas acentuadas em curto período de tempo deram vez a altas rápidas suficientes para compensar o valor perdido.

Ainda no início do mês, a quebra dos sigilos de Flávio Bolsonaro, seu assessor Queiroz e todo o entorno deram ainda mais potência à onda de aversão a risco internacional. Porém, logrou-se reverter o processo de forma robusta quando o Governo substituiu a parcimônia usual e deu início a uma enfática defesa da Reforma da Previdência.

Cabe destacar que do dia 17 de maio em diante, data em que o comportamento do mercado marca o ponto de inflexão, o Ibovespa subiu de modo quase contínuo até o fechamento do mês. De modo análogo, a taxa de câmbio atingiu uma máxima local em 18 de maio que foi sucedida por expressiva apreciação nos dias subsequentes até o fim do mês.

Ou seja, o mercado segue-se comportando de forma errática com inúmeros altos e baixos, desde fim de 2018. Os temas globais da discussão econômica seguem em aberto e contribuem para ressaltar a volatilidade intrínseca às incertezas políticas, que caminham como gêmea siamesa das incertezas econômicas, em relação à temporalidade e magnitude da recuperação econômica esperada, a despeito das sucessivas frustrações que se repetem, desde 2017.

A hipótese de trabalho que lançamos no início deste ano, da “estrada acidentada”, tem-se mostrado acertada. Os momentos mais críticos, de euforia ou depressão, revelaram-se a posteriori, excessos derivados de comportamentos humanos equivocados. Há uma vasta literatura na interseção das ciências econômicas, psicológicas, biomédicas (em particular neurais) e computacionais ainda muito recente.
Os novos recursos computacionais disponíveis foram bem recepcionados pelas outras ciências como ferramentas que possibilitaram graus de complexidade de análise inimagináveis. O entendimento do cérebro (a partir apenas de 1990’s – a “Década do Cérebro”) fez desmoronar paradigmas comportamentais e aproximou a psicologia e a neurociência. Por fim, todas essas inovações sustentam a formulação de uma abordagem comportamental para fenômenos econômicos, auxiliando na racionalização de aparentes paradoxos, vieses e heurísticas comportamentais. Assim, nosso atual desafio ainda é identificar o momento, que aos poucos se aproxima, de quando substituir essa hipótese de trabalho por outra que oriente a alocação dos recursos dos planos.

Marcelo Castello Branco – Gerente de Investimentos


21/6/2019