Carta do Gestor de Investimentos – dezembro/2018

Em novembro os mercados internacionais seguiram voláteis. Dúvidas sobre o ritmo de continuidade do crescimento global ganharam espaço e derrubaram os preços dos ativos de risco. Neste sentido, o preço do barril de petróleo WTI passou de cerca de USD 65 para pouco mais de USD 50 e ilustra bem a desconfiança dos investidores em relação ao crescimento. Neste sentido, destacou-se o fim do corte de produção pelos países membros da OPEC, em julho, para compensar a queda de produção da Venezuela e embargos em relação ao Irã.

Além disso, a discussão sobre o ritmo de normalização da política monetária norte-americana voltou ao centro das atenções. Os investidores vêem riscos de que ao seguir reduzindo o tamanho do seu balanço o Fed pode afetar a liquidez do sistema financeiro de modo mais grave do que imagina, o que teria efeitos deletérios sobre a atividade econômica.

Por fim, apesar das altas e baixas, houve continuidade da tendência de apreciação do USD ante as principais divisas de países centrais e, obviamente, emergentes. Este cenário, combinado com os riscos de que a economia global possa experimentar desaquecimento nos próximos meses afetou negativamente as taxas de juros futuras dos títulos do Tesouro Americano de 10 anos, que voltaram a negociar abaixo da marca de 3% após terem chegado próximo às máximas recentes de 3,2%.

No cenário doméstico, a turbulência internacional teve seus impactos derrubando preços de ativos de risco e trazendo aumento de volatilidade. Apesar disso, a bolsa de valores conseguiu reverter as perdas do início do mês e alcançou novas máximas nos últimos dias do mês. Em contraponto, o Real se desvalorizou ante o dólar refletindo não apenas o componente global de apreciação do dólar, mas questões domésticas como a redução dos fluxos cambiais, em parte consequência dos efeitos da taxa de juros baixa que vem sendo mantida em função de a inflação estar bem-comportada e do movimento.

Em relação às questões políticas, o mercado segue tentando entender quais serão as medidas práticas adotadas pelo novo governo para endereçar as questões fiscais que são, sem dúvidas, as mais importantes para subsidiar um processo de recuperação econômica sólido e de médio e longo prazo. Cabe destacar, uma vez mais, que dentro dos ajustes necessários, o principal deles será a reforma da previdência, que se configura no maior fator de risco de curto prazo já que, caso a expectativa de aprovação rápida seja frustrada, haverá uma substancial reprecificação dos ativos de risco.

Em relação ao futuro, seguimos com uma visão construtiva em relação ao Brasil e ao cenário internacional. Os episódios de maior volatilidade não sugerem que estejamos na iminência de uma nova crise, apesar de requerem a cautela adequada. Além disso, com a recente redução das taxas de juros futuras, inclusive indexadas a inflação, fica claro que o trabalho de diversificação dos investimentos do ativo gerido será inevitável para que se alcancem os resultados pretendidos nos planos de benefícios.

Neste sentido, seguimos com a estratégia de fazer investimentos em gestores terceirizados cuja expertise permita retornos satisfatórios neste ambiente econômico. Ao longo do mês de novembro selecionamos alguns gestores de fundos multimercados exatamente por entender que diante do aumento de volatilidade, essa classe de ativos apresenta uma relação entre risco e retorno coerente com a que pretendemos que nossa carteira de ativos reflita.

 

Marcelo Castello Branco – Gerente de Investimentos

 

 

26/12/2018

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Serpros 26 de dezembro de 2018 0 Comments

Carta do Gestor de Investimentos – novembro/2018

Finalmente, o cenário político eleitoral encerrou seu ciclo e a vitória de Jair Bolsonaro como Presidente-eleito do Brasil permite a análise econômica de uma Agenda liberal. Não há dúvidas de que os desafios são enormes e que a situação fiscal é periclitante, porém o novo governo traz uma Agenda liberal apoiada no combate à corrupção e no encolhimento do Leviatã, o que é suficiente para estabelecer uma trajetória de recuperação da confiança do empresariado na retomada do crescimento econômico.

 

A resposta mais imediata veio dos ativos de mais risco, que precificaram uma lua de mel para o novo governo. Mesmo com a bolsa americana (S&P500) caindo aproximadamente 7%, o Ibovespa conseguiu subir quase 10%, em outubro. Cabe destacar que, em larga medida, este comportamento se deve à antecipação de que reformas serão implementadas e que o Estado irá ceder espaço à iniciativa privada na geração de riqueza.

 

Não obstante, o desafio é muito grande e, logo na largada, o novo governo precisará construir credibilidade em torno do seu entendimento de qual é o ajuste fiscal que precisará ser feito. As iniciativas de retomar as discussões relativas à reforma da previdência são muito positivas e mostram que o novo governo tem bastante consciência de que estes ajustes são inexoráveis.

 

Por outro lado, não se pode negligenciar o risco de que o jogo político de grupos de interesses específicos possa atrapalhar o processo de implementação destas medidas. Assim, as consequências poderiam se materializar em atrasos em relação aos cronogramas reformistas ou mesmo na adoção de variantes light da Agenda original. Em ambos os casos, a lua de mel teria fim trágico para os mercados financeiros, pois sinalizaria a incapacidade de resolver problemas estruturais da economia brasileira.

 

No cenário externo, o processo de continuidade da normalização da política monetária segue como o principal fator de risco. A cada elevação de juros promovida pelo Federal Reserve, parte do excesso de liquidez global vai sendo dragado para fora do sistema financeiro global. Como disse Warren Buffet, “é quando a maré baixa que vemos quem estava nadando pelado”. Neste sentido, o aumento dos juros americanos faz com que outros investimentos se tornem menos atraentes e, consequentemente, a economia americana passa a absorver recursos disponíveis, tornando mais caro o crédito a economias emergentes.

 

É diante deste cenário desafiador que as alocações de risco devem ser executadas e, assim, estamos gradualmente ajustando as alocações dos planos de benefícios que gerimos para buscar maiores retornos sem incorrer em riscos desproporcionais.

 

Marcelo Castello Branco – Gerente de Investimentos

 

14/11/2018

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Serpros 14 de novembro de 2018 0 Comments